Fluxo de caixa para empresas: como sair do extrato e enxergar os próximos meses
A maioria das empresas acompanha o caixa olhando o saldo do banco. O problema é que o saldo conta o que já aconteceu. Quando ele mostra que o dinheiro acabou, a decisão que teria evitado isso já passou há semanas. Abaixo, como montar uma projeção confiável com o que a sua empresa já tem e antecipar a necessidade de capital de giro.
Montamos isso na sua empresa. Diagnóstico de 15 min.
Realizado e projetado não são a mesma planilha
Fluxo de caixa realizado
O extrato organizado por categoria. Diz de onde veio e para onde foi o dinheiro que já entrou e já saiu. Serve para conferir e para entender o passado.
Fluxo de caixa projetado
Entradas e saídas previstas para as próximas semanas, com base em contas a receber, contas a pagar e sazonalidade conhecida. Serve para decidir enquanto ainda dá tempo.
Quase toda PME tem o primeiro e não tem o segundo. Por isso a conversa sobre caixa é sempre reativa: descobre-se o aperto quando ele chega, e as saídas disponíveis já são as caras, como antecipar recebível ou tomar crédito de emergência.
Por que empresa lucrativa fica sem dinheiro
Lucro e caixa medem coisas diferentes. O lucro aparece quando a venda é reconhecida; o caixa, quando o dinheiro entra. Entre um e outro existe o ciclo financeiro, e é ele que explica o descompasso.
O ciclo financeiro em uma linha
Prazo médio de estoque mais prazo médio de recebimento menos prazo médio de pagamento a fornecedor. O resultado é quantos dias o dinheiro fica preso na operação antes de voltar.
Se a empresa compra à vista, estoca por trinta dias e recebe em sessenta, ela financia noventa dias de operação com dinheiro próprio. Cada real de crescimento nas vendas exige mais capital de giro parado nesse intervalo.
É por isso que crescer pode quebrar. A empresa vende mais, o resultado melhora na demonstração, e o caixa piora, porque o crescimento consumiu giro antes de gerar entrada. Sem projeção, isso só é percebido quando o saldo acaba.
Como montar a projeção, na prática
Não precisa de sistema novo. Precisa de disciplina e de cinco insumos que a sua empresa já tem em algum lugar.
- 1Escolha o horizonte e a granularidadeTreze semanas é o padrão de tesouraria: longo o bastante para antecipar aperto, curto o bastante para ser confiável. Semanal, não mensal: dentro do mês existem picos que a visão mensal esconde.
- 2Traga contas a receber por data provável, não por vencimentoCliente que atrasa sistematicamente entra na semana em que costuma pagar, não na do boleto. Projeção otimista é pior que não ter projeção.
- 3Liste as saídas fixas e as sazonaisFolha, aluguel e fornecedores recorrentes são fáceis. O que derruba a projeção são os eventos anuais esquecidos: décimo terceiro, férias, IPTU, seguro, parcela de imposto.
- 4Marque o saldo mínimo de segurançaUma linha horizontal abaixo da qual a empresa não pode operar. O gatilho de ação não é o saldo chegar a zero, é ele cruzar esse piso na projeção.
- 5Revise toda semana e compare com o realizadoÉ a etapa que quase todo mundo pula, e a única que faz a projeção melhorar. Sem comparar previsto e realizado, o erro nunca é corrigido e a planilha vira ficção.
Quatro erros que tornam a projeção inútil
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